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UMA SEMANA PARA ESQUECER-POR SAMUEL CELESTINO

Publicado em: 16/3/2014
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Nos últimos quinze dias, justo depois do Carnaval, a presidente Dilma Rousseff começou a experimentar dificuldades intensas que, se prosseguirem, poderão ter consequências na campanha eleitoral. Ela enfrenta problemas densos na Câmara dos Deputados com a rebelião de parte do PMDB e do blocão, criado neste período, com a participação de oito partidos da base aliada. Tais partidos impuseram uma sequência de derrotas ao Palácio do Planalto. Esta foi a tônica da semana política. Mas não só. Ao mesmo tempo, emergiram questões que já estavam a perturbar a gestão, dentre elas a inflação, que dá sinais fortes, a economia, que não vai bem, e, para concluir, a crise no setor energético.
Não fica por aí. Emergiu o que já era esperado: no Rio e em São Paulo as manifestações contra os gastos na Copa do Mundo ressuscitaram e tendem a ter continuidade até os jogos de junho/julho. De tal sorte é o problema que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, solidário à presidente Dilma, informou que não fará discurso na abertura dos jogos da Copa, acompanhando a presidente que, na inauguração do estádio Mané Garrincha, em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, foi intensamente vaiada enquanto, fora do estádio, a polícia militar tentava, em vão, controlar manifestações.
Para ano eleitoral onde a presidente tenta a reeleição os sinais não são positivos, na medida em que estão espraiados por diversos segmentos. A economia, principalmente o setor industrial, está sufocada, não somente com o problema energético, mas com os custos da produção, que são altos e tendem a aumentar, enquanto a China coloca no mercado brasileiro produtos a preço menores, sobretudo no setor têxtil. Não somente aí. A economia não vai bem. Para completar, o setor elétrico, sufocado com a queda dos reservatórios por ausência de chuvas, dão sinais negativos, com uma sequência de apagões. Já se anuncia aumento dos tributos para compensar o preço da energia que se tornou cara. Para Dilma é péssimo, porque ela chegou à Casa Civil de Lula e, depois, à Presidência, passando, antes, pelo comando do ministério de Minas e Energia, onde este problema deveria ser resolvido lá atrás. Houve perda de tempo.
O governo errou. No ano passado, num gesto demagógico ou sem vislumbrar o que viria a acontecer – havia sinais para não cometer o erro – a presidente determinou a redução em 20% do custo da energia para beneficiar a população. Foi bom enquanto durou. Agora, numa entrevista coletiva as autoridades da área, à frente o ministro Guido Mantega, um “gênio” da economia, disseram que haverá aumento de tributos que os brasileiros terão que bancar para compensar o custo do setor elétrico. Provavelmente, não será este ano. É perigoso eleitoralmente. O aumento virá em 2015 elevando, assim, a pesada carga tributária que é imposta aos brasileiros.
No segmento político, a presidente entendeu que poderia enfrentar o PMDB, certamente lastreada no fisiologismo, marca registrada dos poderes Executivo e Legislativo do País. Ironizou a legenda – “o PMDB só me dá alegrias!” – e não mensurou a força da liderança de Eduardo Cunha, excluindo-o das reuniões realizadas por ela com caciques peemedebistas. Desdenhou o poder do líder e se deu mal. Cunha reuniu-se com os líderes do blocão e surpreendeu impondo derrotas ao governo que começou na terça à noite, com a criação da comissão externa para apurar corrupção na Petrobrás, e sequenciou na quarta convocando ministros em série para explicar questões do governo à Câmara. Quase uma dezena deles. Cunha respondeu, então, à ironia da presidente declarando “Vamos deixar o governo sangrar um pouco mais”.
Assim, a situação para Dilma não é nada confortável, mas, naturalmente, poderá melhorar, embora o tempo seja escasso na medida em que estamos praticamente em cima da Copa do Mundo – restam 90 dias. Depois, haverá a campanha eleitoral, em agosto e setembro. Os assessores políticos da presidente estão errando seguidamente. Como ela não tem inclinação para atuar nesta área (nem gosta) está perdendo todos os rounds. Os candidatos oposicionistas devem estar felizes e até criaram um novo slogan “Dilma não dá mais”. É um mero slogan porque ela continua como a candidata preferencial e poderá emplacar a reeleição.
*Coluna de Samuel Celestino publicada no Jornal A Tarde deste domingo (16)

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