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TEMPOS DE INCÚRIA – POR SAMUEL CELESTINO

Publicado em: 16/11/2014

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Tempos de incúria
O governador eleito, Rui Costa, não se precipita para a formação do seu secretariado. Por ora, somente um processo de transição entre o governo Jaques Wagner e o dele. A partir daí tomará decisões que entender convenientes. É possível, entre outras posições a serem adotadas, que haja diminuição de secretarias porque o grupo de transição comandado pelo secretário da Fazenda, Manoel Vitório, constou o que já era fato. Alguns departamentos têm atribuições que se sobrepõem as de algumas secretarias. Assim, não faz sentido atribuições idênticas.

Não se sabe, ainda, quais os secretários de Wagner que ficarão e os que desaparecerão para que Rui Costa estabeleça o perfil que deseja para a sua gestão. Já em relação ao governo Dilma em segundo mandato sabe-se pouca coisa. A presidente faria bem se cortasse um bom número dos 39 ministérios, muitos dos quais criados para beneficiar partidos políticos. É necessário até que assim seja para diminuir as despesas do País, que está de ponta-cabeça, imerso numa crise econômica que se expande e poderá levar a seríssimas consequências se não houver medidas imediatas para conter um desastre anunciado.

Lula é, por natureza, um falastrão, que se expandia quando em viagem ao exterior. Nas suas viagens, costumava revelar medidas que seriam tomadas no seu retorno ao Brasil. Com Dilma Rousseff é bem diferente. Primeiro, porque Lula, à sua maneira, tinha facilidade em se relacionar com chefes de estado. Com a presidente não é bem assim. No exterior ela fala pouco e não se comunica com facilidade. Então, há de se esperar o seu retorno da Austrália onde foi participar da reunião do G-20, para que diga alguma coisa sobre o seu novo ministério que formará.

Por ora, supõe-se que ela mudará cerca de 60% da sua atual equipe, mas o que importa mesmo é o novo ministro da Fazenda e a nova equipe econômica. Também com base em suposição, os nomes mais cotados são Henrique Meirelles, amigo de Lula, e o ex sub-ministro de Guido Mantega, Nelson Barbosa, que se afastou do governo por não se entender com o chefe na condução da pasta. Ele estava certo. Mantega sempre foi fraco. Os dois nomes citados circulam bem na classe empresarial e não são de entregar cartas. Pelo contrário, zelam pela independência no trabalho que realiza. Como o estilo de Dilma é o de ser mandona, ela terá forçosamente que aceitar um ou outro ou procurar um nome que lhe seja subalterno. Não terá muitas escolhas. O setor econômico do País está fragilizado e à beira do abismo.

É do seu dever, ao retornar, se debruçar sobre a formação do novo ministério. Provavelmente elegerá o Ministério da Fazenda como primeira decisão. É isso que o País, paralisado pela crise, espera. Encontrará ainda as consequências da nova Operação Lava Jato patrocinada pela Polícia Federal na última sexta-feira com prisões, entre as quais mais um diretor da Petrobras recolhido às grades, Renato Duque, que foi indicado para o cargo pelo ex-ministro e mensaleiro, José Dirceu. Trata-se, consequentemente, de mais um corrupto  que entra na quota do PT.

Dilma Rousseff está atravessando uma fase permeada de complicações. Já era esperado que houvesse ainda neste final do seu primeiro mandato mais problemas envolvendo o escândalo na Petrobras. Não se supunha, porém, que fosse de tal monta, com tantas prisões, agora atingindo executivos de empreiteiras que têm contratos com a petroleira, e que teriam participado do superfaturamento de contratos em troca de vantagens bilionárias para partidos políticos, diretores da estatal, políticos integrantes do quadro surreal que envolvia a principal empresa brasileira. Isto sem que o ex-presidente Lula e a atual Dilma soubesse de alguma coisa. Se assim foi, o País não estava sendo governado pelo PT, que não sabia absolutamente de nada do que ocorria à sombra do poder, a partir do mensalão.

O certo é que a presidente chegará ao segundo mandato absolutamente fragilizada. Fraquíssima. Como governar o País diante de um cenário como este? O Brasil atravessa tempos difíceis. Tempos de incúria.
* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (16) do jornal A Tarde

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