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SAMUEL CELESTINO:A OPOSIÇÃO ENTRA EM CRISE

Publicado em: 09/2/2014

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Abriu-se uma crise anunciada na oposição baiana que, se antes não havia decidido quem a representaria como candidato a governador, agora inflacionou e tem dois nomes, Paulo Souto e Geddel Vieira Lima. Anunciada porque Geddel tinha colocado seu nome e começara a trabalhar na suposição de que Souto de fato não desejava a candidatura, na medida em que se mantinha absolutamente indeciso e silencioso. Antes, no início do processo, o presidente do PMDB baiano tinha dito que se o ex-governador desejasse se lançar ele imediatamente abriria mão da sua pretensão e marcharia ao seu lado. Só que nada disso aconteceu e deste modo Geddel anunciou que deseja a candidatura e a mantém.

A definição aconteceu na sexta-feira, 31, onde estavam agendadas conversas dos dois pré-candidatos, uma pela manhã e a outro pela tarde, com o prefeito ACM Neto, condutor do processo de escolha. Surpreendentemente, de acordo com uma informação sigilosa, Paulo Souto dissera, categoricamente, a Neto que não estava disposto a participar e que resolvera ficar de fora, em face de ruídos e notas plantadas na imprensa a partir de Brasília. Manteve-se nesta postura de forma inarredável. À tarde, ainda de acordo com o informante, o prefeito chamou Geddel e a ele dissera que a candidatura seria sua em razão da não aceitação do ex-governador. Geddel deixou o encontro como candidato e ficou acertada uma nova conversa para a manhã de terça-feira, dia 4, com Neto.

Acontece que em política são normais as idas e vindas. Ao DEM, a candidatura de Souto era e é imprescindível para reerguer o partido, que atravessa uma fase difícil e poderia recomeçar pela Bahia onde já tem a prefeitura de Salvador e o segundo maior colégio eleitoral, Feira de Santana, comandada por José Ronaldo. De Brasília, o presidente nacional da legenda, José Agripino, esperava ansioso pela decisão baiana. O final de semana foi marcado por pressões silenciosas de integrantes do partido, escalados para realizar o trabalho de convencer Souto a voltar atrás na sua decisão, o que veio, de fato, a acontecer e ficou claro na reinauguração do Plano Inclinado Gonçalves. No ato público, o ex-governador apareceu ao lado de Neto e foi aclamado como candidato ao governo da Bahia.

O que antes eram tão só dúvidas virou de ponta cabeça e a crise emergiu: a oposição passou a ter dois candidatos, já que Geddel Vieira Lima anunciou que já não havia forma de desistir do seu intuito e que mantinha a sua pré-candidatura. Também em política conversa é essencial. Como o prazo para anunciar a chapa fora marcado para depois do Carnaval, o impasse poderá permanecer até lá, a não ser que se encontre uma forma para a pacificação oposicionista e um dos dois desista, o que não é nada impossível e faz parte do jogo. Mas há um entrave visível. O que Geddel mais sonha é governar a Bahia. Isso ele diz desde a primeira eleição de Jaques Wagner, quando ele abriu mão e se aliançou com o petista. Posteriormente, como se sabe, veio o rompimento político. Os dois, no entanto, se cumprimentam e dialogam quando, porventura, se encontram.

Para ACM Neto o nó é de difícil desate, mas ele tem demonstrado competência para superar divergências, como é prova o seu excelente relacionamento com Wagner. O prefeito deverá continuar tentando, com ajudas múltiplas, porque a oposição não pode e nem deve apresentar dois candidatos ao governo. Dá-se como certo que haverá segundo turno, tanto no plano nacional para a Presidência, com aqui na Bahia para o governo. O problema é que se já é difícil realizar suposições de resultados – o que é uma tarefa ingrata – pior é apostar entre quatro nomes, Rui Costa, Paulo Souto, Geddel Vieira Lima e Lídice da Mata, quem serão os dois que ficarão para o confronto final no segundo turno.

Daí a necessidade de a oposição resolver o seu “pepino” que estava fora de todos os planos políticos. Tinha-se a impressão de que os oposicionistas marchariam juntos, o que agora fica nebuloso. Aliás, este sempre foi um grande mal do segmento oposicionista baiano, que se fragmentava nas campanhas eleitorais e era surrado em todos os pleitos na época de ACM. Ao que me recorde, somente na eleição de Waldir Pires, em 1985, com o carlismo fragilizado, as oposições se entenderam. Por pouco tempo, porque com dois anos de mandato, Waldir renunciou abruptamente, pensando na Presidência da República passando o governo ao vice, Nilo Coelho, o que possibilitou, nas eleições de 1989, o retorno de Antônio Carlos ao poder.

Em outras e claras palavras, a oposição sabe o que acontece quando se fragmenta.

*Coluna de Samuel Celestino publicada no jornal A Tarde deste domingo (9).

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