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O BISPO E A MORTE DO RIO SÃO FRANCISCO

Publicado em: 14/11/2014

 

 Dom Frei Luís Flávio Cappio é Bispo da Igreja Católica  e desde 1997 comanda a Diocese de Barra (BA), às margens do Rio São Francisco. Já graduado em Economia,  fez seus estudos teológicos no Seminário Franciscano de Petrópolis (RJ) e  trabalhou por três anos na periferia de São Paulo, na Pastoral Operária. Em 1974 largou a grande cidade e partiu, com a roupa do corpo, para o viver no semiárido nordestino, onde vive até hoje.
Em 1992, ao completar 48 anos, iniciou uma peregrinação de 6 mil quilômetros da nascente até a foz do Rio São Francisco, que durou um ano, vivida  por Dom Luís Cappio como uma missão ecológica e religiosa, durante a qual Sacerdote buscou conscientizar a população sobre a necessidade de preservação do Rio São Francisco. A experiência foi publicada no livro “O Rio São Francisco – Uma Caminhada entre Vida e Morte”, pela Editora Vozes.
 
Entre 26 de setembro e 5 de outubro de 2005, fez uma greve de fome em defesa do rio São Francisco na cidade de Cabrobó (PE), protestando em  favor da revitalização do rio e contra o projeto de transposição do Rio São Francisco planejado pelo governo do presidente Lula. Esta manifestação ganhou o apoio de diversas organizações e movimentos sociais. O jejum foi interrompido após negociação com o então ministro Jacques Wagner. Feito o acordo, frei Cappio comentou que se a promessa não fosse cumprida, retomaria o protesto.
 

 

A decisão do governo federal de iniciar as obras da transposição em 2007, utilizando o Exército, fez com que o bispo iniciasse um novo jejum no dia 27 de novembro daquele ano. Seu protesto não foi um gesto solitário, mas deu visibilidade à luta de diversos movimentos sociais contrários à transposição, evidenciando o conflito pelo uso das águas da bacia do São Francisco.
Sua posição sobre a transposição recebeu apoio de diversas personalidades, como o teólogo Leonardo Boff, o geógrafo Aziz Ab’Sáber, o escritor Adolfo Pérez Esquivel, as artistas Elba Ramalho e Letícia Sabatella, a psicóloga  Marianne Spiller, o filósofo Rosalvo Salgueiro e outros.
 
Diversas entidades da sociedade, como o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Serviço Paz e Justiça na América Latina – SERPAJ-AL a Igreja Católica brasileira, as pastorais sociais e a cúpula da CNBB, entidades ecumênicas como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e movimentos sociais como o MST e o Movimento dos Atingidos por Barragens também manifestaram seu apoio.
Após praticamente um mês de jejum espontâneo, entrou num grave estado de saúde, sendo internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na cidade de Petrolina, no dia 19 de dezembro de 2007. Por vários motivos, entre eles o parecer médico, decidiu findar seu jejum em protesto à transposição das águas do Rio São Francisco. Não obstante, seu protesto não terminou. Celebrou seus 36 anos de sacerdócio em meio a este último jejum. Sua vida não poderia estar melhor associada à de São Francisco, a quem decidiu viver semelhantemente. Hoje é um dos líderes de projeção contra a transposição do Rio São Francisco e em defesa da revitalização do Rio São Francisco e dos direitos dos povos ribeirinhos.
 
Conforme previa e ainda prevê, o “Velho Chico” está morrendo. Breve as usinas hidrelétricas de Paulo Afonso e outras estarão sem água para movimentação das turbinas. Aí a “porca torce o rabo”.

 

As fotos postadas foram obtidas na cidade de Xique-Xique (BA).
Do Xique-Xique em Foco com reprodução do Mural do Oeste

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