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MUQUÉM:JORNALISTA É AGREDIDO PELO PRESIDENTE DA CÂMARA EM EXERCÍCIO DA FUNÇÃO

Publicado em: 16/12/2013

Truculência e despreparo dos vereadores resulta em violência contra a imprensa, que assim como eles estava em pleno exercício da função.

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Da Redação Gazeta do Oeste

Fotos: Jayme Modesto

O presidente da câmara de vereadores de Muquém do São Francisco, Osmar Gaspar, juntamente com o vereador Milton Pereira de Carvalho e o secretário da câmara Aldivino das Virgens Cruz, agrediu violentamente o jornalista Jayme Modesto do Jornal Gazeta do Oeste, que estava a serviço no município, no dia 13 de dezembro.

A presença do jornalista no plenário da câmara, espaço reservado ao público, incomodou aos três, que ficaram furiosos com a presença do profissional de imprensa no recinto da Casa e em consequência disso à sessão foi atrasada em uma hora e meia.

Jayme Modesto que estava sentado no plenário foi chamado por um dos funcionários a mando do presidente da câmara para se dirigir a outra sala, sem saber o que lhe aguardava. Chegando lá, o jornalista se deparou com os agressores e outros membros da câmara em volta de uma mesa. Logo o repórter foi surpreendido pelo presidente com a seguinte pergunta: “O senhor encaminhou algum ofício para esta Casa pedindo autorização para fazer imagens e gravar alguma coisa?”

Desapontado com a atitude do presidente deu-lhe a seguinte resposta: “Não, porque aqui é um espaço público, denominado de “casa do povo” e como sou um profissional da imprensa, não é necessário”. O presidente retrucou aos gritos: “Aqui quem manda sou eu, portanto se retire, não vai gravar nada”, disse o presidente completamente exaltado, mostrando-se despreparado para relacionar-se com a imprensa e expôs o desprezo do legislativo municipal em relação aos meios de comunicação e aos próprios eleitores que o elegeu.

Aos berros, os três agressores o cercaram e pediram que o jornalista se retirasse imediatamente sob pena de ser empurrado para fora da câmara. Sem saber o que fazer a única reação do repórter, foi retirar do bolso um gravador digital para registrar toda agressão e palavrões ditos a ele, proferidos pelos três agressores. O vereador Milton Pereira de Carvalho, furioso e com toda arrogância e truculência, tentou lhe desferir um soco no rosto, o repórter afastou-se, e se não fosse a intervenção de outras pessoas, inclusive do vice-prefeito Jurandir Alves de Barros e da vereadora Maria Martins, o jornalista teria sido, além de espancado, também empurrado para fora da câmara a ponta pés.

O secretário da câmara, Aldivino das Virgem Cruz, aos gritos quis se valer do regimento interno da câmara para adverti-lo de que a sua presença ali era ilegal, no artigo 7° o texto diz: “demonstrando total conhecimento do que estava falando”. Veja o que diz o artigo do regimento interno: “No recinto de reuniões do plenário não poderão ser afixados quaisquer símbolos, quadros, faixas, cartazes ou fotografias que impliquem em propaganda política partidária, ideológica religiosa ou de cunho promocional de pessoas vivas”.

Não lhe restando outra alternativa, Modesto se retirou e procurou a polícia, já que havia uma viatura da PM estacionada há 50 metros da câmara, onde recebeu total apoio para retornar ao plenário, da câmara, espaço reservado ao público para realizar seu trabalho.

Iniciada a sessão e após a leitura de um trecho bíblico e com a presença dos policiais militares na porta da câmara, Modesto se sentiu mais seguro e passou a gravar e fazer as imagens, foi quando os dois vereadores Osmar Gaspar e Milton Pereira de Carvalho, aos gritos pediam que o profissional se retirasse do plenário, sob a alegação de que a sua presença estava tumultuando os trabalhos. Novamente os dois vereadores não se limitaram aos palavrões, também aos gritos diziam que iam lhe tomar os equipamentos, numa tentativa de não ser gravado nada para que o povo não ficasse sabendo do que eles estavam aprovando. O vereador Milton Pereira chegou ao extremo e num gesto obsceno apontou o dedo para o repórter.

Vale ressaltar que o Jornalista Jayme Modesto não esboçou nenhuma reação, nem tão pouco dirigiu uma palavra aos agressores, que pediam que se retirasse e foi o que ele fez, para evitar um problema maior, inclusive com a intervenção da polícia militar. Está tudo gravado, garante o jornalista.

A presença do jornalista no município se deu através de uma denúncia de populares, de que a câmara iria votar o projeto orçamentário para o ano de 2014, elaborado pelo executivo no governo do então prefeito interino Osmar Gaspar, pois fazer a cobertura de reuniões ordinárias de câmaras é de praxe de toda a imprensa da região.

O orçamento foi confeccionado por uma empresa de Barreiras, (por uma questão ética não citaremos o nome da empresa), que recebeu antecipadamente pelos serviços R$ 106.500,00 valores pagos nos meses de março, abril e maio, inclusive para fazer as informações do “SIGA” e nada fora feito. Ainda segundo informações, o TCM já lavrou um termo de ocorrência de nº 69494/2013, encaminhando a Controladoria Geral dos Municípios e ao Ministério Público para as devidas providências.

Segundo informações técnicas, o orçamento votado é uma imoralidade que inevitavelmente trará consequências irreversíveis para a administração municipal e consequentemente para a população, já que deixa o governo municipal totalmente engessado, tudo de forma propositada, já que a oposição tem maioria e segue rigorosamente as orientações dos Irmãos Guimarães. Pela revolta da população, os vereadores já sabiam antecipadamente que haveria reação da imprensa e da opinião pública. O orçamento votado é uma peça totalmente desfigurada, baseada na estrutura administrativa de 2006, onde até a denominação das secretarias são outras, mas tem como único objetivo prejudicar a administração municipal, o município e o povo, tudo movidos pela retaliação, revanchismo e politicagem.

Osmar Gaspar é presidente da câmara e foi prefeito interino de 01 de janeiro a 19 de setembro de 2013, e segundo informações é um fantoche, manipulado pelos Irmãos Guimarães, hoje responde por vários processos na justiça por improbidade administrativa. Nestes nove meses de sua “ingestão” o município foi saqueado e está em estado de insolvência total, Gaspar já foi inclusive citado pela Polícia Federal, mas não compareceu.

Ainda de acordo com informações colhidas por nossa reportagem no município, o todo poderoso e arrogante vereador Milton Pereira de Carvalho, foi o responsável em dirigir o legislativo municipal no mesmo período. Uma pequena amostra de suas falcatruas constatada na sua prestação de contas ao TCM reside em um alto valor gasto com óleo diesel, sendo que a câmara possui um único veículo fiat flex. Concidentemente no mesmo período de aquisição de óleo diesel pela câmara, o trator da prefeitura estava trabalhando na fazenda do seu irmão.

“A sessão do dia 13 de dezembro de 2013, é para ser esquecida na história política do pequeno município de Muquém do São Francisco. Deve ser esquecida porque em pleno século XXI os vereadores Osmar Gaspar e Milton Pereira de Carvalho – cidadãos escolhidos pelo povo para defender a democracia, se sentiram no direito de rasgar a Constituição, afrontar a democracia e tratar com impropério ameaças de socos e verbais a imprensa”, afirmou Modesto, dizendo ainda, que esse tipo de atitude fere os princípios da liberdade de expressão.

Modesto disse ainda que o dia 13 de dezembro de 2013, também não pode ser esquecido. Não pode ser esquecido porque deve ser lembrado como uma data triste em que os vereadores Osmar Gaspar e Milton Pereira de Carvalho, entenderam que ainda estão vivendo em plena ditadura militar e atacaram o jornalista e um veículo de comunicação, o Jornal Gazeta do Oeste, desqualificando ambos por não ter comunicado oficialmente através de oficio que iria participar da sessão e exercer a sua liberdade profissional da imprensa. Ressaltou ainda que, a imprensa não tem “nenhum poder”. Agora o povo sim. O povo é o maior de todos os poderes, e a imprensa torna se poderosa, apenas porque reflete e traduz a opinião deste mesmo povo. Modesto desabafou dizendo: “Qual o futuro de um município que tem na composição do seu poder legislativo pessoas deste nível?”.

Para a direção do Jornal, os ataques não foram contra o repórter Jayme Modesto ou o jornal Gazeta do Oeste, mas contra a liberdade de imprensa e o livre pensamento de expressão. Lamentável a agressão. Mais lamentável ainda foi a motivação da agressão, a presença da imprensa no plenário da câmara no espaço reservado ao público. Os vereadores devem estar preocupados com suas posturas e ações. Deve estar fixado na ideia de que são os donos do poder legislativo e que a presença de um veículo de comunicação os incomodam.

A agressividade dos vereadores não foi em defesa da sociedade, mas das suas próprias convicções e picuinhas politicas e interesses pessoais. Os dois vereadores não estavam brigando por mais escolas, ou melhorias na área da saúde. Eles não estavam defendendo mais segurança ou infraestrutura de qualidade para o município. Nada disso. Eles apelaram porque estavam votando um orçamento imoral que vai prejudicar o povo de Muquém e deixar a administração municipal atada.

O Jornal Gazeta do Oeste lamenta o episódio com o seu profissional, pela clara desqualificação dos vereadores que se dizem “representantes do povo”. “O nosso trabalho sempre foi pautado no profissionalismo, na ética e na defesa dos direitos da sociedade e continuaremos agindo assim”, afirmou a direção.

Os vereadores fiquem cientes de que as intimidações não vão impedir que o Jornal Gazeta do Oeste, continue realizando o seu trabalho nas câmaras municipais como sempre fez. Muito menos evitará que o jornalismo livre seja exercido em sua plenitude. Que o episódio sirva de exemplo à população de Muquém do São Francisco, que certamente não reconhece mais a prática do coronelismo, há muito abolida no Brasil, mas que algumas vezes tenta ressurgir na sombra de figuras apáticas e desprovidas de conhecimento e compromisso com a democracia, a exemplo dos dois vereadores de Muquém do São Franciscio.

“A liberdade de imprensa é o pilar de uma democracia e precisa ser respeitada, uma minoria dos políticos ainda precisa entender e respeitar os profissionais de comunicação, à imprensa não faz nada mais que seu papel, as denúncias e críticas fazem parte do processo democrático”, concluiu Jayme.

NOTA DE SOLIDARIEDADE

O Jornal Correio do Oeste é solidário ao grande profissional e amigo Jayme Modesto; pessoa honrada,serena,pai de família e que leva ao longo da história, os registros dos principais fatos ocorridos no oeste da Bahia e que incentivou inúmeros a seguirem o seu exemplo na profissão, onde estou incluido nesta safra de alunos.Se hoje o Oeste da Bahia é conhecido deve-se muito a este profissional.Seja forte e não se curve meu querido Jayme e entregue á Deus, pois o mundo dá muitas voltas e numa delas nós estamos.João Néris DRT 4145

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