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MORPARÁ E O EX-PREFEITO LELEI SÃO OS DESTAQUES DO ARTIGO DO JORNALILSTA GERVÁSIO LIMA

Publicado em: 06/2/2014

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“O eleitor gosta mesmo é de placebo administrativo”, por Gervásio Lima

Alô! É da Prefeitura?, é sim. Por favor, sabe me dizer se o prefeito se encontra? Tá não, ele não trabalha aqui. Ôxe, não trabalha aí como; o que faço para falar com ele? É que ele fica mais na fazenda, só indo lá. Tem alguém aí que eu possa falar? Tem uma moça em uma sala ali dentro, vou ver se ela pode atender. Ué, este telefone não fica dentro da Prefeitura? Não moço, este telefone é um orelhão público, fica no passeio do lado de fora, o telefone da Prefeitura tá cortado, mas o senhor pode dizer o que o senhor quer que eu dou o recado.

Esta situação que parece ser hipotética foi a realidade durante muitos anos na pequena cidade de Morpará, localizada no oeste da Bahia, a cerca de 700 km distante de Salvador. Por está inadimplente também com a operadora de telefonia fixa, o Executivo Municipal utilizava um telefone público instalado eu uma calçada na parte externa do minúsculo e antigo prédio onde funcionava como meio de comunicação. As secretarias não dispunham de salas ou sedes. Os secretários despachavam em suas residências.

Esses eram alguns dos muitos problemas de um município com mais de 50 anos de emancipação política administrativa e pouco mais de 8 mil habitantes. Praticamente isolada, só visitava a cidade quem realmente tinha ‘negócio’. Para chegar a Morpará a partir da BR 242, é necessário sofrer literalmente durante quase 70 quilômetros em uma estrada sem pavimentação asfáltica e sem manutenção, ou penar à espera de uma balsa que realiza a travessia em um trecho do Rio São Francisco, para quem se desloca a partir da cidade da Barra, sentido Ibotirama, na BA 161.

Apesar da idade, Morpará parecia mais um pequeno povoado. A maioria de suas ruas e avenidas não dispunha de pavimentação. Os problemas nas áreas de saúde e educação eram outras aberrações. Só recebiam atendimento os declaradamente apoiadores da administração local. Muitas parturientes chegaram a perder seus bebês e, ou, morrido, por não conseguirem chegar até as cidades de Ibotirama ou Barra, onde eram realizados a maioria dos partos.

Cansados de sofrer, a população se encorajou e conseguiu eleger um jovem que trabalhava na área de vendas, de ideias e propósitos de mudar a realidade do município. Eleição de 2008; o filho de um operário da construção civil com uma dona de casa é eleito prefeito de Morpará. Pela frente um verdadeiro desafio e muito, muito trabalho, para construir o que deveria ter sido feito há décadas.

Primeiro passo, regularizar as contas da Prefeitura, com pagamentos dos fornecedores de todas as áreas, desde o de abastecimento de água, energia, telefone e outros. Feito isso, o segundo passo foi a regularização junto aos órgãos estadual e federal, para se tentar firmar convênios.

Utilizando de um velho Jeep, comprado em sociedade com um irmão, já que o município não possuía veículos com condições de uso (disse nenhum veículo), o novo prefeito visita todas as comunidades do interior para identificar as prioridades de cada uma.

Após quatro anos de administração, a cidade ficou adimplente, ganhou uma nova sede da Prefeitura, com todas as áreas informatizadas e com central telefônica; milhares de metros quadrados de calçamento, quadras poliesportivas, iluminação pública, sistemas de abastecimento de água, postos de saúde, na sede e na zona rural, base do SAMU, aquisição de uma frota completa de veículos novos, como ônibus, ambulâncias, máquinas pesadas, veículos diversos para as secretarias e o transporte da população, implantação de programas sociais, entre outros benefícios. O resgate da dignidade e os valores cidadãos eram facilmente percebidos pela maneira lícita, responsável e sensata de uma administração focada na reconstrução de uma cidade cinquentenária, mas com características de povoado rural.

A administração do jovem gestor, que tinha o sugestivo slogan, “Terra dos Nossos Sonhos”, teve todas as suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Mas, o prefeito admirado e elogiado em toda a Bahia, principalmente em sua região, pela seriedade e celeridade com o erário público e a maneira democrática de administrar, focada no desenvolvimento do município e no bem estar da população, inacreditavelmente, não conseguiu a reeleição, perdendo para uma candidata apoiada pelo grupo acusado de surrupiar o município.

Como se encontra a pacata Morpará? Imagine.

O mais difícil não é permanecer errando, e sim, permanecer acertando.

O elogiável e em extinção prefeito que o artigo se refere é Sirley Novaes Barreto, o popular Lelei.

Gervásio Lima

Jornalista e historiador

Fonte: ZDA

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