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HOJE É O DIA DO SENHOR BOM JESUS DA LAPA

Publicado em: 06/8/2013

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Hoje, )06 de agosto, é o dia do Senhor Bom Jesus da Lapa, um dia muito especial para os devotos de um dos maiores santos católicos. Milhares de pessoas já estão desde as primeiras horas do dia, rendendo homenagens.

A CIDADE
Bom Jesus da Lapa é um município localizado na região oeste do estado da Bahia, situado a 850 km da capital. Sua população em 2007 é de 62.199 habitantes conforme o IBGE. Possui uma área total de 4148,5 km² e é banhada pelo rio São Francisco. Suas atividades econômicas estão baseadas na agricultura, pecuária, comércio, turismo e pesca.

A cidade de Bom Jesus da Lapa concentra a treceira maior romaria do Brasil, no mês de agosto, conhecida como a romaria do Bom Jesus em que atrai milhares de fiéis todos os anos. O grande diferencial entre Bom Jesus da Lapa e as outras cidades da região é o morro e suas grutas que lhe conferem um clima místico e diferenciado e o estado permanente de romarias.

A cidade de Bom Jesus da Lapa começou sua existência à sombra do Santuário do Bom Jesus. Na data em que o Monge chegou a este lugar, havia entre o morro e o rio São Francisco apenas algumas palhoças de índios Tapuias. Mas, com o tempo, foram agregando-se devotos que resolveram fazer suas moradias perto do lugar, onde se achava a imagem do Bom Jesus. O Monge construiu junto ao Santuário, um asilo para os pobres e doentes, dos quais cuidava. Assim começou a crescer ao lado da lapa do Bom Jesus um povoado, assumindo o mesmo nome de Bom Jesus da Lapa.

Graças às constantes peregrinações que se transformaram em grandes e permanentes romarias de fiéis ao Santuário do Senhor Bom Jesus, o povoado foi se desenvolvendo, transformando-se em vila em 1870, atingindo a categoria de cidade em 1923, quando foi emancipada, no dia 31 de agosto desse ano.

O morro do Bom Jesus

Margeando o rio São Francisco, bem no sertão baiano; aí é que se localiza o santuário do Bom Jesus da Lapa. Vê-se imponente, um maciço de calcário, de noventa metros de altura, recortado em galerias e grutas. De cor negra, o penhasco carrega em si a vegetação comum da região castigada pela seca. O morro parece um retalho de montanha calcária, isolado no meio de uma planície, com a base quase dentro da água e a margem coroada de cactos, bromélias de espinhos e minaretes de formas diversas. Nele se encontram várias grutas: a do Bom Jesus com 50m de comprimento, 15 de largura e 7 de altura; a da Soledade, maior em extensão e, além disso, para admiração dos romeiros e visitantes, existem outras lindas grutas, porém menores.

O Santuário do Bom Jesus da Lapa

O abrigo foi descoberto em 1691 pelo português Francisco Mendonça Mar, que exercia, como seu pai, a profissão de ourives e pintor. Com vinte e poucos anos de idade, em 1679, chegou a Salvador da Bahia, onde instalou sua própria oficina. Em 1688, foi encarregado de pintar o palácio do Governador Geral do Brasil, em Salvador, mas, ao invés de receber o pagamento, Francisco foi levado à cadeia e cruelmente açoitado. Tocado pela divina graça, reconhecendo a vaidade do mundo, ele aprendeu que a única coisa que vale é a salvação. Distribuindo seus bens, fez-se pobre e, acompanhado de uma imagem do Cristo crucificado, enveredou-se pelo sertão adentro. Caminhou entre tribos de índios antropófagos, passou fome, sofreu o calor do sol.

Uma tarde, depois de vários meses de incessante caminhada, avistou um morro, subiu uma áspera ladeira e, por uma abertura na pedra, penetrou numa gruta. Lá dentro, encontrou uma cavidade ideal para colocar a cruz que levava. Ali, à margem do rio São Francisco, começou uma vida de eremita.

Dedicado à oração e à penitência, o monge logo percebeu que o amor a Deus não pode ser isolado da vida; então começou a trabalhar em favor dos mais necessitados, trazendo para junto de si pobres, doentes, infelizes e aleijados, a fim de servi-los com amor.

No ano de 1702, a pedido do arcebispo da Bahia, dom Sebastião Monteiro de Vide, foi a Salvador preparar-se para o sacerdócio. Estudou durante três anos e, em 1705, foi ordenado padre.Tomando o nome de Padre Francisco da Soledade após a ordenação, voltou à Lapa onde viveu até sua morte, em 1722.

Os romeiros

A gruta, onde o monge Francisco colocou a cruz, tornou-se o santuário do Bom Jesus da Lapa. É mais do que uma cavidade na pedra: é um santuário construído pela mão da natureza e escolhido por Deus. Diante da imagem do Crucificado, ajoelham-se os romeiros de todas as idades, vindos de diferentes lugares do Brasil. Eles trazem consigo o coração penitente, uma oração fervorosa de palavras simples que brotam espontaneamente.

No altar do Bom Jesus, podemos ouvi-los balbuciando preces; outros, em voz alta, fazem seus pedidos e agradecimentos; outros misturam palavras com lágrimas e outros pagam promessas, deixando ex-votos, como fotos, cartas, muletas etc. É a Ele que o romeiro recomenda sua vida e a de seus familiares e amigos, entregando-se a sua proteção. A promessa feita e cumprida é uma forma de agradecer a Deus por todo o bem que ele, “pobre homem”, recebe das mãos divinas. O romeiro caracteriza-se pelo chapéu de palha revestido rusticamente de tecido branco e fitas coloridas. A mais comum é a de cor branca, simbolizando a esperança. Um fato pitoresco na cidade é que quase todos os telefones públicos (orelhão) são em forma de chapéu.

O tempo da romaria

Desde tempos imemoráveis, a festa do Bom Jesus é celebrada no dia 6 de agosto, mas, na verdade, o movimento dos romeiros começa logo após a festa de São João.

No santuário e na cidade, o movimento intensifica-se a partir de 28 de julho, quando se inicia a novena na esplanada, culminando no dia 6 de agosto com a celebração solene. Pela manhã e à tarde, há procissão pelas principais ruas da cidade, onde se destaca o andor carregando a imagem milagrosa do Bom Jesus da Lapa. No ano de 2000, o santuário foi visitado por mais de 1.200.000 romeiros e, em 2001, a Polícia Militar calcula que, no dia da festa, a cidade recebeu quase 300.000 pessoas. O tempo da romaria não termina com a festa, mas continua até o fim do ano. Mineiros, paulistas, cariocas, capixabas, goianos, baianos e outros. Todos eles se encontram aos pés do Bom Jesus.

O fundador do santuário, Pe. Francisco da Soledade era muito devoto de Nossa Senhora. Peregrinando em busca do lugar ideal para fazer penitência, trazia também uma pequena imagem de Nossa Senhora das Dores. Desde o começo, no dia 15 de setembro, celebra-se a belíssima festa com a participação de milhares de peregrinos.

A missão permanente dos redentoristas

A missão do Pe. Francisco continua nesta terra há mais de 3 séculos (1691-2009), com sucesso. Cada ano o santuário recebe um número sempre maior de visitantes e a fama do lugar se espalhou não apenas pelo Brasil, mas também no mundo. Os missionários do Santíssimo Redentor (redentoristas) estão atuando na Lapa desde 1956. Nos primeiros 20 anos, trabalhavam os confrades da vice-província do Recife e, a partir de 1973, a vice-província da Bahia assumiu a responsabilidade pelo santuário. O trabalho com os romeiros, durante todo o ano, é uma missão permanente.

Nessa realidade nordestina, chega ao santuário o romeiro pobre, muitas vezes abandonado material e espiritualmente; por isso precisa ser bem recebido e para levar consigo a mensagem evangélica e a força espiritual. O trabalho pastoral do santuário tem grande influência na vida religiosa da região. Nele o romeiro sempre tem a oportunidade de participar de vários eventos coletivos, como, por exemplo, a Romaria da Terra e das Águas, Romaria da Pastoral da Criança, Romaria dos Legionários, Romaria dos Agentes de Saúde e Endemias, etc.

A beleza natural e a forte devoção pelo Bom Jesus fazem desse lugar “a capital baiana da fé”. Para o povo nordestino, trata-se de um lugar verdadeiramente sagrado.

Convite:

Venha você também, contemplar essa beleza e visualizar o pôr do sol mais belo do sertão sãofranciscano. Se, por acaso, esteja pensando na distância! Diga como um bom baiano: ” é logo ali”. Junta sua turma e venha desvendar os mistérios das pedras calcárias do morro do Santuário, as quais fascinaram Francisco da Soledade, em tempos passados, e que hoje fascinam milhares e milhares de romeiros.

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