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ELEIÇÕES 2014-SAMUEL CELESTINO: SÍNDROME DE MACACO VELHO

Publicado em: 03/12/2013

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A sucessão baiana, se antes já se projetava como uma grande interrogação, com a decisão do PT, ao escolher Rui Costa,se confirma como interrogação, no rastro da declaração do governador Jaques Wagner, segundo quem com tamanha antecedência do pleito as pesquisas não influem. A sua primeira eleição foi um exemplo: bateu Paulo Souto quando todas, absolutamente todas as consultas, colocavam o então governador com uma imensa diferença do petista que começou a subir um mês antes do pleito. Mas, na véspera, as pesquisas ainda teimavam em não reconhecer a vantagem de Wagner. Foi uma virada silenciosa. Em relação a Rui Costa, ele aparece, como petista, com menor pontuação, distanciado de Walter Pinheiro, que surge como o melhor avaliado do PT. Wagner, certamente, parte do pressuposto de que, se aconteceu uma vez, com ele, acontece a segunda.

Essa forma de pensar não tem, por consequência, validade somente na Bahia, é de se imaginar que seja universal, embora os institutos de pesquisas de outros países, como os Estados Unidos, por exemplo, são mais capacitados tecnicamente e as pesquisas são realizadas mais amiúde, praticamente todas as semanas, inclusive por veículos de comunicação cujas credibilidades não desejam colocar em jogo. Dificilmente, por conseguinte, erram nas previsãos que oferecem ao público.

Mas há exceções. Na Bahia, a vantagem, por ora, é de ACM Neto que não pode ser considerado porque não será candidato. Fica, então, oscilando entre Paulo Souto e Geddel Vieira Lima, com larga distância para os que estão abaixo na tabela de pontuação. A forma de pensar do governador passa a valer também para Dilma Rousseff, Aécio Neves, Eduardo Campos (Marina Silva) e Randolfe Rodrigues, o mais recente candidato, pelo Psol, à Presidência.

Vista através da observação deste dezembro, Dilma tem uma frente expressiva que, por ora, é considerada vitoriosa em primeiro turno, mas o conhecimento do seu nome é total, na medida em que ocupa a Presidência da República. Os demais terão que ampliar as suas possibilidades a partir de uma publicidade maciça, de sorte a ficar, pelo menos nesse aspecto, em igualdade para a disputa. Os adversários de Dilma são novos. Já no pleito que a elegeu, ela disputava com José Serra, que já havia perdido para Lula que, no momento do pleito, estava com plena popularidade no País.

Aqui na Bahia, houve um esforço de popularização envolvendo três nomes: Lula, Dilma e Wagner. Justo Dilma era a menos conhecida. Em 2014, aparecerão juntos Dilma, Wagner e Rui Costa. Lula ficará de fora. Já em relação às eleições estaduais, será necessário popularizar Rui, porque, por ora, a oposição será formada basicamente pelo PMDB, PSDB e DEM, e, provavelmente, o PPS. Os três primeiros têm pré-candidatos: Geddel Vieira Lila, que anunciou que deve lançar a sua candidatura, pelo PMDB; João Gualberto, pelo PSDB, que pode ser ou não, com maior possibilidades para compor a chapa oposicionista; e Paulo Souto que se mantém reticente e quando lhe perguntam se é candidato afirma categoricamente que não, embora de outra forma, dê sinais evidentes de interesse, o que confunde o agrupamento oposicionista.

O PSB vem com uma dobradinha de mulheres. Lídice da Mata e a ministra Eliana Calmon formam uma excelente dupla, a segunda candidata a senadora. Deverão ser bem votadas e muito ajudarão o pré-candidato Eduardo Campos. Como o agrupamento oposicionista deve fechar para a Presidência da República com Aécio Neves (o PSDB é aliado tradicional do DEM e, em relação ao PMDB, o partido na Bahia tem autonomia), observa-se que dificilmente Dilma repetirá a votação que aqui recebeu quando Lula estava no auge e, como se dizia na época, elegeria até um poste.

Se houver uma queda substancial de Dilma, mesmo que fique em primeiro ela poderá ter problemas porque em Pernambuco, terra de Campos, onde é governador, acontecerá a mesma coisa; em Minas Gerais ela sai de lá derrotada, por ser reduto de Aécio; Geraldo Alckmin, com todos os percalços com todos os percalços, está muito à frente de Padilha, tentando a reeleição, e poderá ajudar o tucano. No Rio de Janeiro é um embaraço só, com Sérgio Cabral, que insiste no seu vice, Pezão, e o PT tem candidato posto, Lindbergh, que não desiste da candidatura. O Rio, terceiro colégio eleitoral do Brasil, assim deverá (ótica do momento) ir arrebentado para o pleito, o que melhora sensivelmente para a oposição ao PT.

Tudo isso não significa nada além do que o quadro do momento. Como imagina Wagner, o que está forte cai, o que está fraco ascende. Aconteceu com ele e, assim, ele crê que raios caem duas vezes no mesmo lugar. Quem pensa diferente é o povão. Eu, não. Tornei-me macaco velho.

*Coluna de Samuel Celestino no jornal A Tarde desta terça-feira (3)

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