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A CARTA COMBINADA- POR SAMUEL CELESTINO

Publicado em: 13/11/2014

Coluna A Tarde: A carta combinada

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: A carta combinada
Foi dura a carta enviada pela ministra demissionária da Cultura, Marta Suplicy a Dilma Rousseff. A presidente disse, no entanto, que “tudo estava acertado entre as duas”. A decisão de sair do governo teria sido tomada pela senadora há um mês e “combinada com ela”. Talvez não tenha sido bem assim. A presidente acabou por se contradizer ao afirmar que a ex-ministra “apenas externou a sua posição”. Ora, se é a posição dela, de Marta, não significa que foi uma opinião casada e se assim foi, não estava nada acertado entre as duas, nem Dilma Rousseff conhecia o teor do documento, porque o que Marta disse foi exatamente o que segmentos inteiros, principalmente daqueles descontentes com a política econômica deste primeiro mandato queriam dizer.O temperamento da presidente é marcado pela centralização do poder. Assim posto, “ela não iria acertar com a senadora o teor do documento”. A carta foi forte. Afirmava que desejava que Dilma, estivesse “iluminada” na escolha do novo ministério e aconselhava que a presidente desse “independência” para agir ao futuro ministro da Fazenda e a sua equipe. Seria muito difícil que Dilma aceitasse conselhos e termos como estes num documento que seria levado ao conhecimento público.

Dilma se apressou a esclarecer o fato enviando a sua declaração de Qatar, onde fez uma parada técnica na sua viagem à Austrália para a reunião do G-20. De mais a mais, ela estrilou dizendo que não marcou tempo para decidir sobre a escolha do seu futuro ministério, diante da expectativa em torno da questão. Ela havia dito, e foi publicado, que escolheria o ministro da Fazenda logo após o seu retorno da Austrália e é esta a expectativa que há por estas bandas. Com as dificuldades em diversas áreas que o Brasil ora atravessa, em consequência do mandato torto que é exercido neste primeiro quatriênio, é natural que haja apreensão de segmentos da área econômica sobre o novo ministro que ocupará o posto de Guido Mantega.

A indústria brasileira atravessa uma fase dificílima, em consequência da política cambial, dos impostos cobrados e, ainda, o problema do aumento das importações e a queda das exportações, principalmente de produtos oriundos da China que abarrotam o mercado brasileiro por serem, sobretudo em relação ao setor têxtil. Ou o País resolve este desequilíbrio, protegendo o setor industrial brasileiro ou ele vai à breca. Esta é uma das questões que está na ordem do dia, mas é bom que não haja esquecimento do social, que passou a perder as vantagens que a nova classe média havia adquirido, e hoje está endividada. Nem, muito menos, deixar de se voltar para a pobreza absoluta, a miserabilidade, que passou a crescer no País, principalmente no Nordeste que presenteou Dilma com a reeleição.

Vem daí a pressa para que a presidente acelere, mas com cuidado, a formação do futuro ministério, principalmente o da Fazenda. Aliás, há sinais de que ela poderá tornar ministro o suplente de senador que ocupou a cadeira de Marta Suplicy que, por sinal, é filiado do PR. Trata-se de Antônio Carlos Rodrigues. Ele é vereador paulistano. Já para o ministério da Cultura o nome mais cotado para ficar no lugar de Marta é o cantor paraibano Chico Cézar.

De mais a mais a presidente viajou para o G-20 com parada técnica no Qatar a convite do emir do pequeno país produtor de petróleo do Oriente Médio. Viajou acompanhada da filha. Ficou hospedada num hotel cuja diária é de R$30 mil. Dinheiro que não saiu dos cofres brasileiros e, sim, foi uma cortesia do emir. Pelo menos.

* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (13) do jornal A Tarde

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