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ADVOGADO OFENDE PROMOTORA DE JUSTIÇA POR SER BAIANA E DIZ QUE NO PARANÁ NÃO É ‘CANGAÇO’

Publicado em: 10/7/2018
A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) trancou uma ação penal do Ministério Público contra um advogado por declarações machistas e racismo contra uma promotora de Justiça. O caso aconteceu em fevereiro de 2017, durante um Tribunal do Júri, em Curitiba, envolvendo a promotora de Justiça Ticiane Louise Santana Pereira e o advogado Claudio Dalledone. Durante o julgamento, na parte dos debates, houve troca de ofensas. Segundo o site UOL, o julgamento era de um fazendeiro acusado de matar um policial da cidade de Cascavel.
O advogado ficou incomodado com as declarações que réus como o fazendeiro deveriam ser presos, assim como Marcelo Odebrecht, condenado na Operação Lava Jato. O caso era julgado inicialmente em Cascavel, mas, por solicitação do próprio MP, foi transferido para julgamento em Curitiba. No debate, o advogado afirmou: “A senhora não precisa vir da Bahia para querer botar ordem neste estado”. A promotora é natural de Rui Barbosa, e se tornou membro do Ministério Público do Paraná há nove anos. “A senhora citou Marcelo Odebrecht, isso é coisa sua, isso é coisa de sua banda. (…) Aqui é Curitiba, aqui é o Paraná, aqui é a sede da Lava Jato”, afirmou o advogado.
O advogado ainda disse que a questão de influência financeira de réus em ações não acontece no Paraná. “Isso acontece lá pra cima, aqui não é a terra do ACM [Antonio Carlos Magalhães, ex-governador e ex-senador baiano], do Marcelo Odebrecht, não vem querer jogar esta nuvem pra cá (…). Não fica querendo botar o pânico aqui, aqui não é o sertão, aqui não é o cangaço”. Antes, a promotora disse um “cala a boca”. A defesa do réu perguntou se haveria replica, mas a Ticiane respondeu que a pergunta deveria ser feita ao juiz. “Eu não estou perguntando para a senhora”, reagiu. “Mas eu estou falando”, ela reagiu. “Não vem, não vem, não vem”, devolveu o defensor, aos gritos. “Cala a boca”, devolveu a promotora. O advogado se queixou da “deselegância” e falou sobre “a educação da moça”. “Está na cozinha de casa!”. Após o júri, o MP moveu uma ação contra o advogado por entender que as declarações “transbordam os limites da normalidade em uma discussão de plenário, pois, além de desmedidas, foram ríspidas e totalmente desrespeitosas para com a função que ali era desempenhada pela noticiante”.
No dia 21 de junho, o TJ-PR decidiu trancar a ação. Na última sexta-feira (6), o MP do Paraná apresentou um recurso contra o trancamento da ação penal. A Câmara, na decisão, considerou que não houve “justa causa para a continuação da ação”. “Discriminação por dizer que alguém veio da Bahia não caracteriza nenhum demérito, pois esse estado foi descrito nas expressões de Ary Barroso, na música ‘Na Baixa do Sapateiro’, como a terra da felicidade”, escreveu o magistrado. Para o MP, a Justiça precisa entender o contexto das declarações. “Veja-se que – uma vez mais se deve contextualizar – a vítima é do sexo feminino, enquanto que o advogado, além de ser homem, é de porte avantajado, lutador faixa preta de Muay Thai e que se vangloria por sua postura agressiva, dentro e fora do Plenário do Júri”, diz o recurso.
Ao UOL, a defesa do advogado disse que a promotora que teve “a pachorra de mandar o advogado ‘calar a boca’ em pleno tribunal do júri não pode se ofender se alguém comparar o seu comportamento com o de quem está na ‘cozinha de casa’”. (BN)

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