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Vídeo mostra ameaça de homem a tupinambás em Eunápolis: ‘Já morreu quatro aqui’

Publicado em: 24/7/2020

por Francis Juliano

Vídeo mostra ameaça de homem a tupinambás em Eunápolis: 'Já morreu quatro aqui'

Foto: Reprodução / Youtube

Índios tupinambás da Aldeia Taquari em Eunápolis, na Costa do Descobrimento, relatam sofrer ameaças por ocuparem uma área que reivindicam pertencer aos antepassados. A última intimidação, a mais grave, ocorreu na última quarta-feira (22).

 

Segundo relato do cacique Juvenal, um homem que se diz dono da área chegou em um carro com cerca de 15 homens e ameaçou os indígenas caso eles permanecessem no local. Em um vídeo enviado ao Bahia Notícias, o acusado chega a dizer que “já morreu quatro aqui, não sei se te contaram isso” depois que ele tomou posse da terra e que “já teve época que a gente botou fogo em gente aqui dentro”.

 

Ao BN, cacique Juvenal declarou que os tupinambás não vão sair do local. “Eu falei a ele que se ele tem documento, que ele entre na Justiça. Só que ele falou que a Justiça dele é ele mesmo”, disse Juvenal ao afirmar que essa foi a ameaça mais forte contra os índios da Taquari. O líder indígena afirmou que o grupo chegou com cerca de 80 famílias e mesmo com as ameaças 30 grupos familiares permanecem na área de cerca de 560 hectares a oeste da sede de Eunápolis.

 

Marcas da presença de tupinambás em tempos passados estão pelo lugar.  “Essa terra foi sempre nossa. Só que no passado, eles botaram nossos antepassados para correr. Aqui tem casas velhas e cemitérios onde parentes da gente foram enterrados”, relata. Por conta da ameaça, os índios formalizaram uma denúncia na secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) nesta quinta-feira (23). O acusado seria produtor de café. Ainda na denúncia, os tupinambás disseram que tiros foram disparados ao redor da aldeia como forma de intimidação.

 

Em nota, a SJDHDS informou que expediu ofício para o Ministério Público Federal de Eunápolis, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar da Bahia, Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Ministério Público Estadual em Eunápolis, e aos conselhos nacional e estadual de Direitos Humanos, solicitando a investigação e apuração dos fatos. Nesta quinta, houve rondas na área conflagrada pela Coordenação de Conflitos Fundiários da PM-BA.

 

 

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