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SAMUEL CELESTINO-COLUNA A TARDE: A ARTE DE ENGOLIR SAPOS

Publicado em: 19/1/2014

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Como o esperado, aos poucos os enigmas da sucessão baiana estão sendo revelados. No início da semana, o tucano e líder do partido na Câmara, Antônio Imbassahy, declarou que o candidato oposicionista seria conhecido em questão de dias, ou semanas. Não precisou tanto. Na quinta-feira da Lavagem do Bonfim a caminhada não havia alcançado a Colina Sagrada quando Paulo Souto afinal reconheceu que se os partidos oposicionistas o apoiassem por consenso, seria candidato ao governo. Deixou no ar a possibilidade da candidatura. Rui Costa foi lançado por Wagner no dia 28 de novembro, antecipando a divulgação em dois dias para evitar conflitos com os pré-candidatos petistas precocemente anunciados. Lídice da Mata é a candidata do PSB, com a ex-ministra Eliana Calmon como pretendente à única vaga do Senado.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima imaginava que Souto não se colocaria na disputa, mas havia dito que se ele resolvesse participar do processo eleitoral abriria mão da sua postulação. Geddel, ao tomar conhecimento da decisão do ex-governador, disse que não seria candidato nem a vice nem ao Senado, mas pode, sim, ser candidato ao Senado, porque já não quer ficar muito tempo em Brasília se concorrer à Câmara Federal. Não é, definitivamente, do seu gosto. A política, no entanto, dá volta e tudo pode acontecer. O PMDB deverá fechar com o PSDB e o DEM e mais, por ora, o PTN, o PPS e o PV. Pelo visto, e pela declaração de Lídice da Mata, segundo quem “o tempo de Wagner está acabando” (ela nega que tenha dito a frase para atingir o governador, seu amigo), representará também o agrupamento oposicionista, porque o PSB de Eduardo Campos, candidato à Presidência, combaterá a candidatura de Dilma Rousseff, assim como o tucano presidenciável Aécio Neves.

Temos então um quadro que sinaliza uma campanha político-eleitoral complicada e difícil. Serão dois candidatos ao governo oposicionistas tirando votos do PT de Rui Costa (que estará, imagina-se, forte na campanha) e de Dilma Rousseff que, certamente, não repetirá os resultados eleitorais na Bahia que obteve ao ser eleita com Lula ao lado, na época com a popularidade nas alturas. Agora, nem Lula está lá em cima nem a gestão da presidente, por diversos motivos, se compara com a do ex-presidente, cujo carisma era, ou é, indiscutível. Por consequência externas e internas, o Brasil já n ão é hoje o que foi ontem. Nos dois últimos anos de Luiz Ignácio, o País deu a impressão de decolar, enquanto a crise batia forte nos Estados Unidos e em toda Europa. Surgiu, então, a história dos emergentes e o Brasil passou a fazer parte do grupo principal desses tais emergentes, os Brics. Hoje, já não se fala em Brics. O PIB brasileiro que atingiu 7,5% com Lula desabou, porque com a recuperação dos Estados Unidos, os investidores deixaram o País e voltaram a investir principalmente na América, que passou a oferecer condições de confiabilidade para investimentos.

Na verdade, o Brasil não vai tão mal assim. Caminha trôpego, é verdade, mas está indo à frente na base do devagar e sempre. Deixando ao lado a sucessão presidencial, as perspectivas é que teremos um ano não somente complicado por diversos motivos (até com a novidade dos tais “rolezinhos” nas capitais), mas, de disputa acirrada dos cargos políticos, especialmente a galvanização das eleições para os Executivos, do País e da Bahia, que são as que interessam aos baianos particularmente. Ainda falta muito. Os fatos estão acontecendo. Como se esperava, José Sérgio Gabrielli recusou-se a ser coordenador da candidatura de Rui Costa. Sua negativa foi elegante: disse que o PT é seu partido e seu candidato é Rui em qualquer circunstância, e tudo fará para ajudar a elegê-lo governador do Estado. Não se sabe se o ex-postulante ao governo baiano deseja ser candidato a um cargo proporcional, como deputado federal. Possivelmente, não, porque sua vocação parece ser o executivo, político ou privado.

Assim, pouco a pouco a arrumação político-eleitoral é feita. Ainda restam definições importantes, como o complemento da chapa oposicionista do PMDB, PSDB e DEM; o vice-governador de Lídice e o vice-governador de Rui Costa, onde existe uma luta entre o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, e o PP de Mário Negromonte. A decisão, mais uma vez, caberá ao governador Jaques Wagner e não é fácil, porque terá que decidir entre amigos, de partidos da base. Bem, o governador anda engolindo sapos. Engoliu um imenso ao lançar Rui, deixando dois conco rrentes de fora, e deve estar em condições de engolir outro quando se definir pelo complemento da chapa ao governo baiano, ao escolher o nome do vice. Mas assim é. De há muito se conhece o ditado segundo o qual a política é a arte de engolir sapos. Ou até brejos inteiros.

*Coluna publicada no jornal A Tarde deste domingo (19).

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