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PORTA-VOZES DE MARINA ENTRAM EM CONTRADIÇÃO

Publicado em: 22/9/2014

Candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva

A democracia de alta intensidade prometida pela candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, parece já estar em curso no debate de seu programa econômico – e produzindo curtos-circuitos. Com pelo menos seis porta-vozes para a área, além dela própria e do falecido cabeça de chapa Eduardo Campos, o time se mostra desentrosado. Em entrevistas ao Estado, dois dos principais auxiliares da candidata, o coordenador de programa de governo, Bazileu Margarido, uma das pessoas de maior confiança de Marina Silva, e o conselheiro econômico Eduardo Giannetti da Fonseca entraram em choque ao falar sobre o papel da Petrobrás na exploração do pré-sal – se a empresa estatal deve continuar como operadora única dos poços. “(O papel) será mantido”, afirmou Margarido. “A Petrobrás detém tecnologia de ponta para a exploração do pré-sal”, disse o assessor que foi escalado para pôr ordem na casa. Ele acrescentou que a estatal é “competente e competitiva” para a tarefa. Já Giannetti se mostrou em dúvida. “O que ocorreu agora na Petrobrás, na medida em que ela foi aparelhada pelo PT para isso tudo que nós descobrimos, estarrecidos, causa muita incerteza em relação à capacidade de a Petrobrás, se não mudar de rumo, poder fazer com competência o papel estratégico que lhe cabe dentro do modelo do pré-sal”, disse o economista. “A Petrobrás precisa ser recolocada na sua seriedade, na sua competência, com quadros técnicos qualificados para poder cumprir o papel importante que ela tem nesse caminho.” O questionamento sobre como deve ser a atuação da estatal partiu do coordenador da campanha de Marina, Walter Feldman. Ele comentou que o peso excessivo não faria bem à Petrobrás. Com isso, sinalizou para uma possível mudança no marco regulatório do pré-sal, o que poderia significar um atraso na exploração das reservas. Se essa proposta vingar, Marina acabará dando razão aos que a acusam de tirar prioridade do pré-sal, pois o debate sobre o tema costuma ser longo e acalorado. “Marina nunca se colocou contrária ao pré-sal”, disse Giannetti. “O que ela disse é que dará ênfase às fontes de energias renováveis, o que não significa que ela não vai desenvolver e explorar algo que é muito importante para o Brasil, que é a riqueza do pré-sal.”

Lu Aiko Otta e João Domingos, Agência Estado

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