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Pesquisa com recorte racial aponta impactos da pandemia na vida e trabalho das mulheres

Publicado em: 07/8/2020

por Jade Coelho / Mari Leal

Pesquisa com recorte racial aponta impactos da pandemia na vida e trabalho das mulheres

Foto: Reprodução /CUT

A pandemia da Covid-19 fez com que 50% das mulheres brasileiras passassem a cuidar de alguém e aumentou a demanda de monitoramento e companhia a outras pessoas para 72% das mulheres já responsáveis pelo cuidado de crianças, idosos e pessoas com deficiência. Mesmo com o contexto de emergência sanitária, 41% das mulheres seguiram trabalhando fora de casa, com manutenção de salários. Essas são algumas conclusões resultantes de um levantamento realizado pelas iniciativas Gênero e Número e pela SOF Sempreviva Organização Feminista. A pesquisa foi orientada por metodologias da economia feminista e pelos estudos feministas sobre trabalho.


De forma específica, o dado que toma como central o “cuidado e responsabilidade por outras pessoas”, atinge as mulheres do campo em 62%, um percentual acima do quadro geral brasileiro. A pesquisa demarca o tema também por recorte racial. Neste aspecto, mulheres negras foram afetadas em 52%; mulheres brancas em 46% e indígenas ou amarelas em 50%. 

Entre as mulheres responsáveis pelo cuidado de crianças, idosos ou pessoas com deficiência, quase ¾ afirmaram ter tido um aumento da demanda. “Essa é uma dimensão do cuidado muitas vezes invisibilizada, pois não se trata de uma atividade específica como é o auxílio na alimentação, por exemplo. Em casa, os tempos do cuidado e os tempos do trabalho remunerado se sobrepõem no cotidiano das mulheres: mesmo enquanto realizam outras atividades cotidianas, seguem atentas”, avalia o relatório Sem Parar, que interpreta os dados do levantamento.

No caso das mulheres que permaneceram em atividade externa, o relatório especifica que “a maior parcela delas é branca, urbana, concluiu o nível superior e está na faixa dos 30 anos”. Já entre as mulheres que responderam que estavam trabalhando mais do que antes da quarentena, 55% delas são brancas e 44% são negras. 

“As relações entre trabalho e atividades domésticas se imbricaram, e se antes pagar por serviços era a solução possível, a pandemia mostra que solução será a não-divisão sexual do trabalho. Elas trabalham mais porque as tarefas ainda não são distribuídas de forma equânime no ambiente doméstico”, avalia. 

DESEMPREGO ATINGE MAIS AS MULHERES NEGRAS

Outro aspecto avaliado pelo levantamento é o impacto do desemprego. Neste recorte, 58% da mulheres são negras. Também se consta a maior incidência das mulheres negras no envolvimento em atividades da economia solidária, a um percentual de 61%. 

“Se estão na base da pirâmide social pressionadas pelas estruturas que as desafiam na conquista do direito à renda, as mulheres negras que trabalham por conta própria têm estratégias de cooperação mais presentes no seu dia a dia. Elas são a maioria em relação às brancas entre as que veem a produção e a distribuição como processos a serem compartilhados”, avalia o relatório. 

A pesquisa não aborda quais tipos de atividades predominam entre as mulheres que estão na economia solidária, mas evidencia diferenças nos arranjos econômicos entre raças.

A pesquisa foi realizada por meio de um questionário online composto por 52 questões fechadas, divididas em oito blocos. O primeiro bloco levantou o perfil das entrevistadas. O segundo, a composição dos domicílios das entrevistadas e a situação durante a pandemia relacionadas às medidas de isolamento social. O terceiro foi dedicado a compreender as percepções das mulheres sobre a pandemia, incluindo as condições para a prevenção e as consequências para a sustentação financeira dos domicílios.


Já no quarto bloco, introduz a questão do trabalho doméstico, seguido de um bloco onde são destacadas as questões sobre as mudanças experimentadas na realização do trabalho doméstico e de cuidado durante a pandemia. O seis introduz questões específicas sobre a responsabilidade com o cuidado direto de outras pessoas, e é seguido, no bloco sete, de questões complementares sobre as mudanças experimentadas na realização do cuidado durante a pandemia. As questões relativas ao trabalho doméstico e de cuidado tiveram como base o módulo “Outras formas de trabalho”, da PNAD Contínua. 

Por fim, o oitavo bloco aborda a questão da violência doméstica, bem NOTA METODOLÓGICA 9 como os sentimentos e emoções vividos pelas entrevistadas. Ao final do questionário, as entrevistadas tinham um espaço livre para escrever comentários sobre a pesquisa e outras questões que desejassem.

O período de coleta de dados de 27 de abril a 11 de maio de 2020, através da plataforma Survey Monkey. O número de casos coletados foi 2.641 respostas.

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