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O RETORNO AO PASSADO – POR SAMUEL CELESTINO

Publicado em: 07/6/2015

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: Retorno ao passado
O ministro da Defesa, Jaques Wagner, em recente declaração disse que a reforma política que ora acontece aos tropeços no Congresso Nacional teria que ser feita no início do primeiro mandato de Lula na presidência, portanto lá por volta de 2003 ou 2004. De certo modo o ex-governador baiano acerta, mas o que declarou tropeça na gestão do próprio Lula que nenhuma importância deu às reformas, como se imaginava que ocorresse no seu governo.

O PT ascendeu ao poder na década passada aureolado pela esperança popular que se sustentava no fato de ser a primeira vez em que um presidente representando um partido de esquerda chegava ao poder. Desde a Nova República, 1930, nenhum partido representando à esquerda alcançara o comando da nação. Getúlio Vargas não representou esta ideologia, embora fizesse muito pela classe trabalhadora e fundara o Partido Trabalhista Brasileiro. Jango também não fora representante, embora os militares utilizassem deste argumento para derrubá-lo do poder, em 1964, dando início a uma ditadura mesquinha e incompetente que permaneceu 21 anos no comando da República, até cair por já não ter representação, inclusive no segmento conservador.

Lula ascendeu ao poder pelo voto popular, em processo de amadurecimento da nova república imaginada por Tancredo Neves. Mas passou à distância das reformas. Wagner não se deu conta deste fato. O PT tinha efetivamente condições de estabelecer uma ampla reforma no país, mas, logo no início do governo, permitiu que a corrupção se entranhasse na gestão abrindo espaço para o mensalão, que manchou seu primeiro quadriênio. De certo modo, o PT sequer pode jactar-se de ter feito um governo de esquerda, porque logo se alinhou com o segmento conservador à direita, com o capitalismo industrial e bancário. A esquerda não aflorou como se imaginava os que estavam esperançosos com um governo diferenciado.

A única reforma que, na verdade, Lula implantou foi a social que até agora sustenta o PT, em momento de visível decadência que atravessa. Ao se voltar para as camadas sofridas da população, o governo petista abriu espaços para uma nova classe social e implantou o Bolsa Família depois do fracasso do imaginado programa “Fome Zero”. O bolsa família continua sendo um programa que mudou, que foi ao encontro da parte miserável da população, mas no momento a nova classe social que Lula tirou de baixo, está a enfrentar uma estrutura oriunda da incompetência do primeiro mandato de Dilma Rousseff. Lula hoje certamente tem consciência de que errou na escolha. Isto, por estar num ministério, Wagner Jamais dirá.

O país está mergulhado numa perversa crise econômica e vê os ganhos da era petista desabar, a partir da própria presidente que está isolada no seu labirinto. Passou a ser comandada pelo Congresso Nacional que ganhou força. A presidente procura uma pequena popularização andando de bicicleta para ocupar o seu tempo de nada fazer no Palácio do Planalto.

Portanto, Lula poderia, no seu início, tentar uma reforma política, mas, antes, seria obrigado a dar novos rumos ao seu governo e, não, fechando os olhos para o mensalão, pai do Lava Jato, das mentiras do primeiro mandato de Dilma, que foram além da conta para obter o segundo mandato. Agora, infelizmente para o país, a classe protegida por Lula atravessa maus momentos e paga o preço de sentir que tudo não passou de um conto de fadas.

A grande verdade é que o governo do PT, que ora cambaleia, jamais se fixou à esquerda. Pelo contrário, os governos Lula sempre estiveram aliados ao capital, às forças econômicas dos banqueiros e da indústria de maneira geral. Foi um faz de conta. De reforma, só a social. Como, então, Wagner admite, ou sonhou que poderia ter sido feita uma reforma política no início do poder petista? Só se a viagem fosse outra porque, no exato momento, o Brasil submerge a uma crise como poucas. A indústria desabou cedendo espaço ao que se observava e outros tempos: importamos produtos industrializados e exportamos os agrícolas, especialmente a soja. Trata-se de um retorno ao passado.
* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (7) do jornal A Tarde

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