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Martagão Gesteira realiza primeiro transplante de medula óssea pelo SUS na Bahia

Publicado em: 27/10/2020

por Ailma Teixeira

Martagão Gesteira realiza primeiro transplante de medula óssea pelo SUS na Bahia

Equipe médica | Foto: Divulgação

Referência em pediatria na Bahia, o Hospital Martagão Gesteira realizou seu primeiro transplante pediátrico de medula óssea neste mês. Foi o primeiro procedimento do tipo feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia e a expectativa é de que a unidade de saúde o realize periodicamente.

 

 

Segundo a oncopediatra Natália Borges, responsável por coordenar a equipe que fez a cirurgia, o Martagão já possui uma demanda interna, com cerca de 10 pacientes com indicação para o transplante. “Mas esse número vai ser muito maior no momento que a gente abrir para todo estado”, estima. 

 

Ela e o médico Carlos Emanuel Melo, presidente da Liga Álvaro Bahia, que é a entidade mantenedora do hospital, realizaram uma coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (27) para anunciar o sucesso da cirurgia. Eles divulgaram que o Martagão agora está apto para oferecer esse serviço, o que fará com que muitas famílias não mais precisem se deslocar para outros estados em busca do tratamento. 

 

Diante das condições físicas e de pessoal, a médica transplantadora avalia que o hospital tem capacidade para fazer até duas operações do tipo por mês. “Atualmente, temos dois leitos que foram reformados pra atender essas duas crianças. Inicialmente, dois transplantes por mês, mas isso pode aumentar à medida que a gente tenha uma demanda maior, mais estrutura”, ressalta Natália.

 

Também presente no evento, o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, reforçou o compromisso do governador Rui Costa (PT) em apoiar as ações do hospital. Ao reconhecer os avanços promovidos pelo Martagão no intuito de oferecer à população “uma alternativa terapêutica até então inexistente”, ele afirmou que o governo estadual fará o aporte dos recursos necessários “para tornar esse investimento sustentável”.

Natália Borges, Carlos Emanuel Melo e Fábio Vilas-Boas | Foto: Divulgação

 

BUSCA POR NOVA ACREDITAÇÃO

No que compete à administração do Martagão, os médicos reforçaram que o plano é aprimorar o trabalho, tanto no que tange à capacitação dos profissionais quanto à estrutura das instalações. “Precisamos sistematizar, promover mais transplantes, padronizar os nossos transplantes, aumentar a nossa capacidade e, ao longo do ano que vem, o programa deverá aumentar um pouco mais, pois nós incluiremos os transplantes de fígado”, anuncia Melo.

 

Natália explica que a unidade começou com o transplante autólogo, que é quando o paciente é o próprio doador, porque ele exige uma complexidade menor. O próximo passo é se habilitar para oferecer transplante alogênico, quando o doador é uma terceira pessoa. No entanto, ela adianta que a legislação prevê um período de dois anos executando o modelo autólogo para que a unidade de saúde possa requisitar a acreditação que permita o segundo procedimento.

 

PACIENTE 01

A paciente beneficiada com a cirurgia foi Isabela Cerqueira, de 4 anos. Há um ano, a criança sofria com um neuroblastoma, um tipo de câncer raro, descoberto já no quarto nível. Além dos médicos, o pai da menina, o lavrador Rubem Antunes Cerqueira, também falou com a imprensa. Em mensagem enviada pela assessoria da unidade de saúde, ele compartilha a alegria da família com o sucesso do tratamento local.

“Foi do dia 27 de junho até hoje. É um período longo, mas a gente trabalha e luta no objetivo da vitória”, comenta, otimista, ao lembrar do desgaste, mas também do progresso que a filha teve com a quimioterapia. “O tumor já desapareceu e agora com esse tratamento que ela fez do transplante, acreditamos que a qualidade de vida dela vai ser outra”, acrescenta.

Apesar da alta-médica, Isabela ainda não vai para casa. Como a família vive na zona rural de Serrinha, no interior, ela ficará em uma casa de apoio na capital para que possa ter um acompanhamento mais próximo.

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